THCV: o canabinoide promissor no controle do
peso e do metabolismo

Nas últimas décadas, a medicina passou por uma transformação profunda. O avanço das tecnologias laboratoriais, da biologia molecular e da farmacologia permitiu que os tratamentos deixassem de ser amplos e inespecíficos para se tornarem cada vez mais seletivos, atuando exatamente nos receptores, vias metabólicas e mecanismos fisiológicos desejados.

Hoje, conseguimos isolar e utilizar moléculas altamente específicas, como peptídeos hormonais, moduladores de receptores celulares, e também diferentes compostos derivados da Cannabis sativa. Não falamos mais apenas em “THC” ou “CBD”, mas em uma verdadeira família de fitocanabinoides, cada um com estrutura química, mecanismos de ação e aplicações clínicas próprias.

Dentro desse novo cenário de medicina de precisão, surge com destaque o THCV (tetrahidrocanabivarina) — um canabinoide que vem chamando atenção principalmente por seu potencial papel no controle do apetite, do metabolismo e do peso corporal.


A história do THCV: da botânica à medicina moderna

A história do THCV acompanha a própria evolução do conhecimento sobre a cannabis medicinal. Desde o início do século XX, pesquisadores já sabiam que a planta continha múltiplos compostos ativos, mas foi a partir das décadas de 1940 a 1970 que a química dos canabinoides começou a ser desvendada com maior precisão.

Nesse período, cientistas passaram a identificar não apenas o Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), mas também moléculas estruturalmente semelhantes, chamadas de homólogos. Entre elas estava o THCV, inicialmente identificado em pequenas quantidades em variedades específicas da planta, especialmente originárias da África e da Ásia.

O grande avanço ocorreu quando pesquisadores perceberam que pequenas diferenças na estrutura química — como o tamanho da cadeia lateral da molécula — eram suficientes para gerar efeitos biológicos completamente distintos. Esse conceito, hoje fundamental na farmacologia moderna, ajudou a explicar por que o THCV se comporta de maneira tão diferente do THC, apesar de nomes e estruturas semelhantes.

Com o desenvolvimento de técnicas avançadas de cromatografia e espectrometria, tornou-se possível isolar o THCV de forma mais pura, abrindo caminho para estudos farmacológicos e clínicos mais aprofundados.


O que diferencia o THCV do THC?

Embora o THCV seja quimicamente semelhante ao THC, existe uma diferença estrutural crucial entre eles.
Enquanto o THC possui uma cadeia lateral com cinco átomos de carbono (pentílica), o THCV apresenta uma cadeia com apenas três carbonos (propílica).

Essa diferença aparentemente pequena altera profundamente a forma como a molécula interage com o organismo humano.

Na prática, isso faz com que:

  • O THC ative o receptor CB1, principalmente no cérebro, levando a efeitos como aumento do apetite, alteração da percepção e euforia.
  • O THCV, em doses baixas, atue bloqueando o receptor CB1, funcionando como um antagonista funcional desse receptor.

É exatamente essa ação antagonista que explica por que o THCV não estimula o apetite e, em muitos casos, apresenta efeito oposto ao THC.


Como o THCV age no organismo?

O sistema endocanabinoide é uma rede complexa de receptores, enzimas e neurotransmissores responsáveis por regular funções essenciais como:

  • Apetite e saciedade
  • Metabolismo energético
  • Controle glicêmico
  • Inflamação
  • Função neurológica

O THCV interage principalmente com:

  • Receptor CB1: antagonismo em doses baixas, reduzindo a ativação cerebral ligada à fome.
  • Receptor CB2: associado a efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores.
  • Outros alvos moleculares, como GPR55 e receptores serotoninérgicos, que podem influenciar metabolismo e comportamento alimentar.

Esse perfil faz com que o THCV seja considerado um modulador metabólico, diferente dos canabinoides tradicionalmente conhecidos.


THCV e o controle do peso corporal

O interesse científico pelo THCV cresceu justamente quando pesquisadores observaram que ele atuava de forma oposta ao THC no controle do apetite.

Evidências pré-clínicas

Estudos em modelos animais demonstraram que o THCV:

  • Reduz a ingestão alimentar
  • Diminui o ganho de peso induzido por dieta rica em gordura
  • Melhora a sensibilidade à insulina
  • Aumenta o gasto energético

Esses efeitos estão diretamente ligados ao bloqueio do receptor CB1, mecanismo que já se mostrou eficaz no controle da obesidade em estudos farmacológicos anteriores.

Estudos em humanos

Um dos estudos mais conhecidos avaliou o uso de THCV em pacientes com diabetes tipo 2, demonstrando:

  • Redução da glicemia de jejum
  • Melhora na função das células beta pancreáticas
  • Tendência à melhora de parâmetros metabólicos

Embora não tenha sido um estudo focado exclusivamente em emagrecimento, os resultados reforçam o papel do THCV como um aliado no equilíbrio metabólico, fator essencial para o controle do peso a longo prazo.


Uma nova abordagem para emagrecimento e saúde metabólica

Diferente de estratégias que atuam apenas reduzindo calorias ou suprimindo o apetite de forma inespecífica, o THCV se insere em uma abordagem mais moderna: regular os sistemas que controlam fome, saciedade e metabolismo.

Isso o torna um composto de grande interesse para:

  • Obesidade e sobrepeso
  • Síndrome metabólica
  • Resistência à insulina
  • Diabetes tipo 2
  • Estratégias integrativas de controle de peso

Vale destacar que, apesar dos resultados promissores, o THCV não é uma solução isolada. Seu uso deve ser integrado a mudanças de estilo de vida, acompanhamento médico e estratégias nutricionais personalizadas.


Considerações finais

O THCV representa um exemplo claro de como a evolução da ciência permite transformar moléculas antes pouco conhecidas em potenciais ferramentas terapêuticas altamente específicas.

Seu perfil único — diferente do THC, sem estímulo do apetite e com potencial benefício metabólico — coloca o THCV como um dos canabinoides mais promissores da atualidade no contexto da medicina metabólica e do controle do peso corporal.

À medida que novos estudos clínicos forem publicados, será possível definir com maior precisão seu papel terapêutico, doses ideais e perfis de pacientes que mais se beneficiam.


Referências científicas

  1. Jadoon KA et al. Efficacy and Safety of Cannabidiol and Tetrahydrocannabivarin on Glycemic and Lipid Parameters in Patients With Type 2 Diabetes. Diabetes Care, 2016.
  2. Abioye A. Δ9-Tetrahydrocannabivarin (THCV): Pharmacology and Therapeutic Potential. Review, 2020.
  3. Pertwee RG. The diverse pharmacology of cannabinoids. British Journal of Pharmacology, 2008.
  4. Mechoulam R, Gaoni Y. Isolation, structure, and partial synthesis of active constituent of hashish. Journal of the American Chemical Society, 1964.
  5. Rhee MH et al. Cannabinoid receptor ligands: molecular mechanisms and therapeutic potential. Current Pharmaceutical Design, 2015.

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